Reciclagem PEAD :: Características e Limitações
Um dos polímeros mais utilizados com diversas aplicações.
O Polietileno (PE) é sem sombra de dúvida um dos polímeros mais utilizados dentre as resinas termoplásticas. Obtido a partir do gás etileno ou como subproduto do processamento do petróleo, o Polietileno é um polímero plástico obtido através de um processo de polimerização a baixa ou de alta pressão, sendo classificado de acordo com a sua densidade (baixa, média e alta).
Considerada a principal variação do polietileno, o PEAD (Polietileno de Alta Densidade) tem papel central dentre todos os polímeros plásticos existentes. Números como o consumo mundial de 100 milhões de toneladas de materiais plásticos por ano mostram a relevância do Polietileno obtido através do processo de alta pressão e o colocam em posição de destaque. Pode-se afirmar que esse volume consumido em nível global deve-se à disseminação das tecnologias de processamento e à pulverização do consumo em todos os níveis em nossa sociedade.
O PEAD vem sendo usado em escala industrial desde 1950 devido a qualidades como sua grande durabilidade, estanqueidade, resistência à corrosão e ductibilidade. Além disso, graças à sua flexibilidade o PEAD é menos suscetível a danos causados por oscilações extremas, como escavações e terremotos. Adicionalmente, do ponto de vista técnico não há restrição para a reciclagem do PEAD. São utilizaods 1,75 kg de petróleo para fazer 1 kg de PEAD. Ele é frequentemente reciclado e o seu símbolo de reciclagem é o "2". Em 2007 o mercado de PEAD chegou a 30 milhões de toneladas.
O PEAD é facilmente reciclado e não tem os problemas do PVC e do Policarbonato associados ao Bisphenol-A que causa problemas ambientais e de saúde, também tem vantagens sobre o vidro, metal e compensado. Enquanto o PEBD tem maior resistência a temperatura e maior dureza, o PEAD possui excelente resistência a água sem segurar o oxigênio ou o gás carbônico. O PEAD para reaproveitamento vem de uma infinidade de origens como embalagens plásticas em PEAD (cujos produtos internos foram utilizadas e as embalagens posteriormente descartadas), barris em PEAD, sacolas em PEAD e outros produtos que são selecionados, limpos, moídos, secados e transformados em granulado.
A produção e uso de plásticos causa uma série de impactos ambientais tal como o grande uso de combustíveis fósseis não renováveis, num contexto em que o meio-ambiente começa à vir para o centro das discussões, além dos oscilantes preços barril do petróleo e da limitação de fornecimento à longo prazo. Em um cenário em que os custos assumiram um papel vital na dinâmica econômica mundial, a reciclagem passou a ter um papel-chave para viabilização financeira de empreendimentos ligados ao plástico. Estima-se que 12% dos aterros sanitários norte americanos é composto por plásticos diversos e destes 19% são de PEAD, ou seja, uma quantidade incrível de matéria-prima de baixo custo que pode ser reciclada. Nos países desenvolvidos, 7% do lixo doméstico residencial é formado por resquícios de embalagens plásticas (feitas principalmente em PEAD).
Fig. 1 - Garrafas Plásticas no Lixo [Crédito: Usuário Flickr P.C. Loadletter.]
O uso do polietileno reciclado na produção de embalagens e outros artefatos plásticos produz os seguintes benefícios:

Além disso, a reciclagem do polietileno permite que não haja acúmulo de lixo plástico não biodegradável no meio ambiente, em função de os plásticos demorarem centenas de anos para se decompor.
Fig. 2 - Código de Identificação do PEAD (HDPE)
Entre os processos de reciclagem, o mais comum são os processos de reciclagem mecânica, os quais consistem em processos que envolvem a moagem, derretimento, corte e granulação de resíduos plásticos. Para isso, as peças plásticas devem ser selecionadas em tipos iguais de materiais antes do início efetivo do processo. Após a seleção, o plástico selecionado é derretido e moldado em uma nova forma ou cortado em pequenos grânulos (chamados de granulados) que serão posteriormente utilizados como matéria-prima para praticamente qualquer finalidade, excluindo-se hospitalar e alimentar.
Um dos maiores problemas da reciclagem de plásticos é que ao derreter polímeros diferentes, eles não se misturam facilmente, pois é necessário que eles sejam do mesmo material para que o processo de mistura seja homogêneo. Plásticos diferentes tendem a não se misturar, assim como a água e o óleo.
Recentemente, surgiu uma nova idéia para uso do plástico como fonte de carbono no processo de recuperação de resíduos de aço – processo esse denominado de compressão por aquecimento. Nele, a mistura de plásticos é colocada em tonéis que giram com alta velocidade, o que gera calor pela fricção das partes de plásticos, fazendo com que as partes de plástico homogeneízem-se independente de sua natureza. Trata-se de uma ruptura tecnológica fascinante, embora haja restrições para a viabilização econômica do mesmo, devido ao alto consumo de energia na rotação dos tonéis.
PRODUTOS FEITOS COM PLÁSTICO RECICLADO
Fig. 3 - Tubos Corrugados em PEAD
Em detrimento do tipo de processo de reciclagem, há uma grande gama de produtos feitos com plástico reciclado, os quais incluem lixeiras, tubos corrugados flexíveis e bolsas de polietileno; tubos rígidos, pisos e esquadrias de janelas em PVC; caixas de CD e DVD; móveis para jardim; etc.
PROPRIEDADES FÍSICAS PÓS REPROCESSAMENTO
De acordo com dois estudos [vide fonte no fim desta página] realizados pela UEM-PR e pela UNISC-RS os plásticos reciclados mantém uma ótima performance quanto às propriedades mecânicas, podendo ser utilizados em produtos com menos exigência de compressão lateral. Um desses estudos testou vários processos de reciclagem sucessivos com o mesmo material e concluiu que o PEAD se mostra bastante estável, já que mesmo sem a adição de aditivos suas propriedades mecânicas se mantiveram relativamente constantes.
Fontes: